terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Atualização mensal sobre o IBOV - Janeiro 2018



No último dia 12 de dezembro de 2017, escrevi no blog que o IBOV estava preparando um forte movimento. Após um breve recuo de dois dias, de lá para cá, o IBOV subiu quase 10%. Uma bela onda de alta.

Para o curto prazo, espero um recuo nos preços, em virtude do estado sobrevendido do índice e dos principais ativos (mais de 10 dias consecutivos de alta). Outro ponto: vários ativos encontraram seus alvos imediatos.

Assim, um recuo até 77 / 78 mil pontos (topo rompido) ou até a média móvel de 21 períodos (e retração de 50% de Fibonacci) em 75 mil pontos poderá ocorrer a qualquer momento. Essa retração nos preços não mudará a tendência de alta do IBOV em todos os tempos gráficos – Bull Market.

Um fato que pode gerar bastante volatilidade em janeiro é o julgamento do Ex-Presidente Lula no TRF4 de Porto Alegre, marcado para o dia 24. A confirmação da condenação em segunda instância e, se acontecer, por três votos a zero, isso poderá impedir de vez a candidatura do Ex-Presidente, o que é muito bom para o mercado (e muito melhor para o país).

Em minha opinião parte do otimismo atual no IBOV é oriundo disso (uma antecipação do resultado favorável), além do bom cenário externo e da calmaria em Brasília (os políticos não estão atrapalhando).

A reforma da previdência que será discutida em fevereiro, por enquanto, não está nos preços. Aliás, a maioria dos operadores acha que a reforma é improvável em 2018. Contudo, se ela acontecer, mesmo que desidratada, a bolsa poderá ter um novo e forte impulso de alta.

Lembrando que o maior “driver” deste ano continua sendo a eleição presidencial. Um candidato pró-mercado, poderá acelerar os ganhos dos ativos de renda variável. IBOV acima de 100 mil pontos, quem sabe, já em 2018, será?

Resumindo:

Curto Prazo = provável correção.

Médio Prazo (próximos dois meses) = muita volatilidade. Notícias de Porto Alegre (janeiro) e Brasília (fevereiro / março) podem acelerar ou desacelerar o IBOV.

Longo Prazo. = continuo muito otimista com a economia brasileira e a vitória de um candidato pró-reformas. Nesse cenário, o céu é o limite. Apenas a vitória de um populista de esquerda poderá quebrar a recuperação econômica do país e derrubar o IBOV. 

MJR


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Onde investir em 2018



O ano de 2017 foi muito bom para o investidor que arriscou um pouco mais em sua carteira de investimento: alta significativa da bolsa brasileira (mais de 25%) e boa valorização dos títulos públicos prefixados e indexados ao IPCA. O que esperar para 2018? Será que teremos um bom ano novamente?

Apesar de acreditar fortemente que estamos apenas no início de um BULL MARKET de longo prazo para a bolsa brasileira, o ano de 2018 será marcado pela alta volatilidade em virtude do processo eleitoral presidencial. Um candidato pró-mercado e a favor das reformas facilitará o caminho dos ativos de renda variável. Em contrapartida um candidato contra as reformas e que defenda o retorno da “nova matriz econômica” poderá enterrar a recuperação da economia brasileira.

Há sinais claros de retomada da economia brasileira e existe a previsão de um aumento de 3.0% no PIB em 2018, obviamente se a eleição não atrapalhar a recuperação.

Um fator que pode dificultar a alta das ações brasileiras é uma possível correção no mercado americano. Ao contrário de nós, eles estão em alta há mais de oito anos (“Late Cycle”) e uma correção mais aguda poderá chegar a qualquer momento. Fique de olho também na velocidade da subida dos juros americanos. Um aperto na política monetária por lá poderá reduzir a liquidez global e, por conseguinte, determinar a “fuga” dos investidores dos mercados emergentes, prejudicando o desempenho da bolsa brasileira.

Outro aspecto que pode jogar água fria nas bolsas mundiais é um possível aumento das tensões geopolíticas na Coreia do Norte e no Oriente Médio.

Desta forma, para este ano temos que ter um pouco mais de cautela na seleção dos ativos. É importante se posicionar para pegar uma possível valorização da bolsa de valores, porém é preciso ter também ativos seguros em carteira.

Curto Prazo (menos de 12 meses):

Fundos DI. É a melhor opção para investimentos de curto prazo,  garantindo a liquidez imediata do dinheiro e evitando movimentos bruscos. O ideal é uma taxa de administração menor que 0,5%. E não deixe de acompanhar o desempenho mensal. Alguns fundos por aí perdem de longe do CDI. Um bom fundo DI deve acompanhar a taxa do CDI, isto é, 100% de rendimento do CDI.

Tesouro Selic. Uma opção aos Fundos DI é a aplicação no Tesouro Selic, que tem retorno semelhante aos melhores fundos DI e um custo baixo: 0,3% ao ano de custódia, acrescido da taxa de administração. Sempre é bom salientar que algumas corretoras não cobram esta taxa, como a XP investimentos, o que reduz drasticamente os custos deste investimento.

Médio Prazo:

Fundos Imobiliários. Apesar da melhora na cotação dos fundos imobiliários em 2017, os preços continuam atrativos. Os proventos mensais são interessantes, até 0,7% ao mês, e isentos de IR para o pequeno investidor. Já há sinais claros de que em breve o mercado imobiliário comercial, especialmente o de lajes corporativas em SP, poderá voltar a se aquecer e as cotações podem ter bom desempenho.

Títulos prefixados. Sugiro “zerar” a posição em títulos prefixados comprados nos últimos dois anos. O Banco Central sinalizou que em breve terminará o ciclo de queda da Selic, atualmente em 7.0% ao ano. Este fato e o cenário político refletem num maior risco para aplicação nestes títulos, superando o potencial de valorização dos mesmos. Quem ganhou, ganhou. Agora, em minha opinião, não vale o risco.

Tesouro Inflação. Visando uma proteção de médio prazo sugiro a compra do Tesouro IPCA 2024 sem cupons semestrais (NTNB Série Principal). Os motivos? Primeiro porque você ainda pode aproveitar o fechamento da curva de juros (os prêmios para os juros mais longos ainda são atrativos) e, segundo, porque você fica protegido da inflação. Por último, numa eventual vitória da esquerda, esses títulos serão os mais resilientes.

Debêntures. Para aqueles que têm um conhecimento um pouco maior do mercado financeiro e aceitam um pouco mais risco, a aquisição de títulos privados (“títulos de dívidas”) pode ser uma boa opção. As corretoras independentes oferecem estes títulos, contudo a liquidez ainda é limitada.

Longo Prazo (mais de 5 anos):

Tesouro Inflação. Visando a aposentadoria, opte pelo Tesouro IPCA 2035 sem cupons semestrais (NTNB Série Principal), e tenha uma garantia de um retorno real acima do processo inflacionário. Mesmo com uma eventual elevação dos juros nos próximos anos, o ganho real acima da inflação é muito vantajoso.

Dólar e Ouro. O rumo para 2018 ainda é muito incerto, porém acredito que a cotação da moeda americana deverá ficar muito volátil em virtude da corrida presidencial.  Mantenha no mínimo 10% do seu patrimônio atrelado à moeda americana com a intenção de proteger parte do seu patrimônio (lembre-se da correlação inversa entre a bolsa e o câmbio). Outra opção para proteção de carteira é investir em ouro. Sugestão: 10% em dólar ou 7% em dólar e 3% em ouro.

Mercado de ações. O IBOV está cotado em 78 mil pontos no momento em que escrevo. O objetivo de longo prazo continua incalculável (150, 200 mil pontos?) se a economia voltar a crescer com a eleição de um governo pró-mercado. A vitória da esquerda poderá derrubar a bolsa para menos de 50 mil pontos. Desta forma, o risco-benefício é muito bom. Mais uma vez, invista somente o dinheiro que você não precisará no curto prazo e lembre-se que o ativo BOVA11 é a melhor opção para aqueles que têm pouco tempo para se dedicar ao mercado financeiro.

Desejo a todos excelente ANO NOVO.

Bons investimentos.


MJR


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Prepare-se, o IBOV está preparando um forte movimento para os próximos dias.




Caros leitores do blog,

Hoje farei um breve comentário, mas muito importante. Há cerca de 20 dias o IBOV vem “andando” de lado, num movimento que chamamos de contração dos preços. Tecnicamente estamos num triângulo descendente. O rompimento dos limites desta figura gráfica está muito próximo. E a partir disso, o movimento poderá ser amplo.

No dia de hoje, os preços fizeram um movimento muito positivo e tocaram a linha de tendência de baixa (linha oblíqua vermelha do primeiro gráfico), mas ainda sem claro rompimento (seta vermelha). A meu ver, ela será rompida em breve e o Rally de final de ano poderá ocorrer.  Alvos em 75 e 78 mil pontos, este último o topo histórico (linha verde).

Detalhe: no mercado futuro (INDFUT) os preços já romperam a linha de baixa (veja abaixo).



Risco: uma falha deste rompimento poderá jogar os preços para baixo, em direção ao forte suporte em 68 mil pontos (linha horizontal preta). Assim, todo cuidado é pouco, pois o mercado é traiçoeiro. Sinaliza para um lado e corre para o outro.

Abraços,

MJR


* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.



segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Risco e Volatilidade



É muito comum os pequenos investidores confundirem essas duas variáveis, ou melhor, usualmente eles acham que se trata da mesma coisa. Decididamente são elementos completamente distintos, independentemente da classe do ativo.

Por definição, em investimentos, o risco está relacionado à possibilidade de alguma perda. Temos o risco de crédito, o risco de liquidez e o risco de mercado, dentre outros. Assim, teoricamente um título do tesouro direito tem menor risco de crédito que um título privado, por exemplo, uma debênture. Por outro lado, um imóvel tem maior risco de liquidez do que a compra de um lote de ações do Banco Itaú. O primeiro pode ser difícil de ser negociado. Já o segundo tem liquidez diária, pelo preço de mercado. O chamado risco de mercado está relacionado ao risco geral do sistema financeiro. As crises macroeconômicas afetam diretamente os vários tipos de negócio: imobiliário, acionário, dos títulos de renda fixa, etc.

A volatilidade de um ativo é a oscilação dos preços num determinado espaço de tempo. Em geral os títulos de renda variável são mais voláteis que os de renda fixa, ora mais, ora menos, dependendo de vários fatores políticos e econômicos, internos e externos. Mas isso nada tem a ver com o risco do ativo. Cada classe de ativo tem seus próprios riscos e sua própria volatilidade.

As eleições de 2018 vão gerar muita volatilidade no mercado acionário brasileiro, mas o risco do investimento continuará o mesmo. Vamos a um exemplo real. Existem sinais claros da retomada da economia brasileira e os lucros das empresas aos poucos estão sendo retomados. Assim, nada mais óbvio que esperar por uma valorização das ações nos próximos anos. Contudo, isso não acontecerá numa trajetória retilínea, haverá altos e baixos, especialmente em relação à corrida presidencial. Desta forma espera-se por um forte aumento da volatilidade em 2018.

Ao final do processo eleitoral (ou no decorrer, se um candidato disparar nas pesquisas), o risco do investimento em bolsa para o longo prazo poderá ou não ser mitigado de acordo com as ideias do presidente eleito (ou favorito nas pesquisas). Se ele apoiar a continuidade do ajuste fiscal do governo federal, apoiar as reformas da previdência e tributária, apoiar o controle inflacionário, apoiar o combate à corrupção e apoiar um maior liberalismo da economia, os juros básicos continuarão baixos, o dólar cairá frente ao real e a economia vai melhorar muito: mais empregos, maiores salários, maior crescimento das empresas e de seus lucros. Tudo isso fará com que o mercado de ações se valorize. Talvez, 100, 200% ou muito mais nos próximos anos. Não dá para precisar quanto. Por outro lado, a vitória da esquerda deverá derrubar a bolsa num primeiro momento, mas se a inflação voltar a subir, a bolsa de valores também subirá, pois serão os únicos ativos imunes à hiperinflação. Os títulos do governo poderão sofrer uma desvalorização absurda, devido ao maior risco de crédito e ao aumento dos juros futuros.

Dito isso, fica claro que existe uma clara e boa assimetria para se investir no mercado de ações desde já. Espere por um ano vindouro de extrema volatilidade, mas o risco do investimento no mercado acionário continuará o mesmo, aliás, do meu ponto de vista, até um pouco menor, como acima comentado. E não se esqueça: o mercado financeiro anda muito na frente da economia real. Se tudo der certo, a bolsa poderá terminar 2018 com uma valorização muito além de qualquer previsão. Para terminar, sempre é bom relembrar: invista somente o dinheiro destinado ao longo prazo e respeite seu perfil de investidor.

MJR




sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Você gosta de juros baixos?



A resposta me parece óbvia. Todos os segmentos da sociedade se beneficiam de uma taxa de juros reduzida. Você pode financiar um carro, uma casa, abrir um negócio, e muito mais. Para as empresas, o benefício também é enorme: reduz o custo das dívidas e facilita novos investimentos. Esses geram mais empregos e mais renda para o povo e, por conseguinte, mais arrecadação de impostos. Para o Governo, além dos tributos, a redução na taxa básica de juros é muito saudável para reduzir o valor da dívida pública. Resumindo, um ciclo do bem!

Assim, fica claro que a queda sustentável na Selic é muito importante para o desenvolvimento do país. Atualmente a taxa básica de juros está em 7.5% ao ano, uma das menores da história recente do Brasil. Isso foi conseguido nos últimos 12 meses por três razões principais: pelo controle da inflação, pela redução da atividade econômica nos últimos anos em virtude da grave crise econômica e pela alta credibilidade do Banco Central que, a partir da gestão de Ilan Goldfajn em 2016, foi muito duro no controle inflacionário mantendo a Selic em níveis altos.

Pois bem, passemos a próxima questão. A atual taxa de juros é sustentável no longo prazo? Depende de um fator principal. Se o Governo Federal continuar controlando os gastos públicos, a resposta é sim. E o próximo passo importante, e inevitável, é a reforma da previdência. Desta forma, não temos escolha, ou fazemos a reforma da previdência ou voltaremos aos juros estratosféricos. A questão é simples. É matemática. Se o Governo não voltar a fazer superávit primário, os juros vão subir a partir de 2019. Não há outro caminho.

O Presidente Temer, independentemente de você gostar ou não dele, está tentando fazer uma pequena reforma da previdência. Mas mesmo assim, o próximo presidente obrigatoriamente precisará fazer muito mais. Grande parte do déficit público atual é oriunda da previdência social. Aqui, no Brasil, em geral, aposenta-se muito cedo, muitas vezes antes dos 55 anos e com pouca contribuição ao sistema, sem comentar sobre os privilégios de alguns setores.

Uma sugestão, antes de você escolher seus candidatos nas próximas eleições, para Presidente e para a Câmara dos Deputados, verifique qual é a opinião deles sobre o assunto. É preciso mudar a mentalidade de todos os componentes da sociedade. Todos os países sérios no mundo revisaram e revisam periodicamente as questões previdenciárias. O ser humano está cada vez mais longevo. A expectativa média de vida no Brasil é de 76 anos, segundos dados recentes do IBGE. Se nada for feito, a situação da previdência será insustentável em muito pouco tempo. Basta citar como exemplo o Estado do Rio de Janeiro. Lá, os funcionários ainda não receberam parte do décimo terceiro salário de 2016. Inacreditável.


Alguns vão pensar que a corrupção é outra causa importante do déficit público. Também concordo, mas ela não é a causa primária do déficit público. A causa tem nome: PREVIDÊNCIA SOCIAL. Pense nisso, ou melhor, estude o assunto, discuta com seus amigos e tire suas próprias conclusões.

MJR 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

IBOV – Semana decisiva



O IBOV vem corrigindo desde o começo de outubro. Da máxima, em 78 mil pontos, à mínima, em 73 mil pontos, o índice corrigiu mais de 6%.

Na última sexta-feira o índice atingiu o primeiro suporte importante em 73 / 74 mil pontos, referente à mínima de setembro de 2017 e ao topo histórico rompido recentemente, que agora funciona como suporte. Pela sinalização gráfica do pregão de sexta, 03/11, existe uma boa chance que o IBOV repique (alta) nos próximos pregões, mas é preciso ter cautela, veja:

No curto prazo, pelo gráfico diário, estamos em tendência de baixa.

Vários ativos importantes estão em tendência de baixa. Por outro lado, algumas ações encontraram suportes imediatos.

O suporte mais importante do IBOV está em 69 / 70 mil pontos que corresponde ao penúltimo topo no gráfico semanal, à média móvel de 21 semanas, também no semanal, e à retração de 38% de Fibonacci, esta última relacionada ao movimento iniciado em janeiro de 2016 (gráfico acima).

Assim, fica claro que ainda há espaço para mais quedas no IBOV. Todavia, num mercado fortemente altista, suportes intermediários, como o atual, podem segurar os preços e, por vezes, podem estimular uma nova onda de alta.

Isto posto, qual a minha expectativa para o curto prazo?

É provável que o IBOV apresente alguns dias de alta. Talvez mire os 76 mil pontos.

Não é desprezível que o IBOV tente buscar o topo de 2017 em 78 mil pontos nas próximas semanas. 

Eu, particularmente, acho improvável a superação desta marca ainda em 2017. Mas, tudo é possível.

Após o provável repique nos preços, a retomada das quedas e a perda dos 73 mil pontos é uma alternativa bem plausível.

Por último, sempre é bom lembrar que o rumo dos mercados americanos devem nos guiar nas próximas semanas. Uma eventual queda lá pode derrubar os preços aqui.

Para aqueles que operam na bolsa de valores no dia a dia, esses pontos de “indecisão” são corriqueiros. Faz parte do jogo. É impossível prever o caminho exato que o IBOV seguirá. O mais importante é não se precipitar e seguir o fluxo do dinheiro no curto prazo.

Já para os pequenos investidores, o ideal é aproveitar os períodos de correção para aumentar a posição na ponta compradora, haja vista que apesar do cenário incerto de curto prazo, o BULL MARKET de longo prazo do IBOV continua intacto. Compre aos poucos e não exagere na dose. Invista somente o dinheiro que visa o longo prazo. Mantenha uma carteira equilibrada.

MJR

* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

BOVA11: uma maneira fácil de investir na bolsa brasileira



Replico no blog o artigo que escrevi em outubro de 2017 para o Boletim do Colégio Brasileiro de Radiologia, uma coluna em que escrevo mensalmente: BOVA11: uma maneira fácil de investir na bolsa brasileira.  

Recentemente, um colega do hospital onde trabalho me perguntou sobre como investir no ativo BOVA 11. Assim, antes de adentrar aos fundamentos para a escolha de uma determinada ação na bolsa de valores (análise fundamentalista), vou comentar novamente sobre esta forma eficiente e fácil de investir na bolsa brasileira. No final de 2015, no último boletim do CBR daquele ano, fiz a recomendação de compra deste ativo: cotação unitária de 42 reais. No momento em que escrevo ele está cotado a R$ 69,54. Alta de mais de 60% em menos de dois anos.

Desta forma, o questionamento do colega é muito comum e frequentemente várias pessoas me perguntam sobre o mesmo assunto: existe uma maneira simples de investir na bolsa? A minha resposta está na ponta da língua. “Compre BOVA11”.

O BOVA11 não é uma ação, mas sim um Fundo de Índice (ETF é a sigla em inglês para Exchange Traded Fund), negociado na bolsa de valores de SP, que tem ótima liquidez diária e cujas cotas são negociadas num lote padrão de “10”, ou seja, podemos comprar de 10 em 10 cotas, o que facilita a vida do pequeno investidor.

Este fundo contém em sua carteira de ativos todas as ações que compõem o Índice Bovespa (IBOV), em torno de 58 ações, e na mesma proporção. O objetivo do fundo é replicar o desempenho do IBOV, que é o principal índice da bolsa brasileira. Desta forma, é muito simples operá-lo. E melhor, sem o risco de aplicar em uma única empresa. Não há risco de crédito. Outro fator positivo: a cada quatro meses, o próprio índice se encarrega de reduzir a participação das empresas de pior desempenho, pois o IBOV é rebalanceado quadrimestralmente. Daniel Khaneman, Prêmio Nobel de Economia em 2002 e um dos expoentes internacionais em psicologia comportamental, em recente palestra no Brasil, afirmou categoricamente que a maneira mais eficiente e sábia do pequeno investidor aplicar no mercado de ações é via ETF.

O processo de compra é igual ao de uma ação. Basta inserir o código BOVA11 no Home Broker e comprar lotes múltiplos de 10. Sugiro compras mensais. Não tente adivinhar “fundos” no intuito de comprar mais barato. Se essa tarefa é muito complicada para os profissionais, imagine para os amadores. Faça um preço médio. E nunca aplique tudo de uma vez.

Após alta de 60%, o ativo não estaria caro? Decididamente, não é possível ter certeza sobre isso, mas acredito fortemente que estamos apenas no começo de um longo ciclo de alta para o IBOV e que uma alta ainda mais expressiva irá acontecer nos próximos anos. Posto isto, fica claro que aplicar no BOVA11 é uma maneira simples, fácil e segura de aplicar seu dinheiro na bolsa de valores. Se você não tem tempo, paciência e não pretende se dedicar ao mercado de ações, esta é melhor maneira de garantir seu futuro. Basta abrir uma conta numa corretora e ter noções básicas de compra e venda de ativos, o que sempre é muito simples. Cerca de 700 reais já são suficientes para aplicar. Contudo, como para cada compra existirá uma taxa de corretagem, opte por compras periódicas, mensais ou trimestrais, reduzindo os custos das operações. E o mais importante: vise o longo prazo. Estou falando em aplicações para além de 5 anos. E lembre-se, aplique somente o dinheiro que tenha esse objetivo. Para o curto prazo existem outras modalidades de investimentos.

Obs:

*Algumas cotações estão desatualizadas, por exemplo, a cotação atual do BOVA11 é de 72 reais, mas optei por replicar o artigo como foi originalmente escrito.

*Para finalizar, um complemento fora do artigo: as correções no IBOV, como a atual, são ótimas oportunidades de aumentar sua posição neste ativo.

Abraço, MJR.