terça-feira, 10 de abril de 2018

Atualização mensal do IBOV – Abril 2018




Após uma longa congestão e queda na volatilidade desde meados de março, o IBOV está preparando um forte movimento. E, em minha opinião, o movimento será de alta. Antes de citar algumas razões do meu otimismo, preciso comentar que ainda estamos “prensados” na faixa entre 83 e 86 mil, e apenas o rompimento destes extremos confirmará o início do próximo movimento.

Veja as razões:

1.      Mesmo com a significativa correção do mercado americano nas últimas semanas e a saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira, o IBOV não teve força para cair de forma contundente.

2.      O DJI pode sinalizar alta para as próximas semanas, se conseguir romper a LTB (linha de tendência de baixa: linha vermelha oblíqua tracejada no gráfico abaixo). Isso deverá impulsionar o mercado nacional.



3.      O IBOV também está próximo de romper a LTB no gráfico diário (veja gráfico inicial).

4.      Uma das agências de risco melhorou a nota do Brasil na última segunda-feira.

5.      A inflação continua mostrando sinais de fraqueza o que favorece mais cortes de juros. O IPCA de março foi o menor dos últimos 25 anos.

6.      A prisão do ex-presidente Lula na última semana diminui a chance da eleição de um candidato populista.

7.      Várias ações importantes do IBOV corrigiram de maneira importante nas últimas semanas e começam a mostrar sinais de reação.

8.      A VALE3 e a PETR4 começaram este processo no dia de hoje, especialmente a primeira (veja abaixo). Falta apenas a reação das ações dos Bancos.


9.      O cenário político em Brasília está domado e as eleições ainda estão distantes.

10.  O único entrave poderia vir do Supremo Tribunal Federal, alterando a regra de prisão em segunda instância. Eu, particularmente, não acredito nesta hipótese, mas no Brasil tudo é possível.

Posto isto, o ideal é que você se prepare para a próxima pernada da bolsa. Fique atento aos limites de 83 e 86 mil pontos. O rompimento deles será o gatilho. Espere pelo melhor e prepare-se para o pior. O mercado quase sempre é imprevisível.

MJR

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O Investidor e o Leão – Imposto de renda sobre as aplicações financeiras




Todo investidor tem um incansável e onipresente sócio oculto. Ele é ganancioso e preguiçoso. Não te ajuda em nada. Seu único objetivo é abocanhar uma parte do lucro de seus investimentos. Pior, ele geralmente quer receber na fonte, no saque do dinheiro. A fome dele é gigantesca, por vezes ele quer mais de 20% de participação dos lucros. Por outro lado, no prejuízo ele passa bem longe, seque oferece ajuda. Você pode ser um grande ou pequeno investidor, não interessa, ele está sempre pronto para pegar o dele. Todavia, ele é “generoso” e permite a redução de sua parte em algumas modalidades de investimento. Sim, ele abre algumas exceções. O bom investidor precisa conhecer e aproveitar corretamente estas brechas da lei. Isto fará muita diferença no resultado de longo prazo.

É óbvio que estamos falando do Leão do Imposto de Renda. Neste livro, simples e direto, você aprenderá como informar e preencher corretamente seus investimentos na declaração do ajuste anual de 2018, passo a passo, e melhor, saberá como aproveitar as brechas legais para você pagar menos impostos.

O livro foi atualizado em 2017. Neste ano, 2018, não houve mudanças significativas nas normativas da Receita Federal e, portanto, o livro está bem atualizado. 

Disponível em formato digital na Amazon.

MJR

segunda-feira, 26 de março de 2018

O que os rentistas farão com a Taxa Selic em 6,5% ao ano?




O Brasil sempre foi o país da renda fixa. Com os juros básicos quase sempre nas alturas, ganhar 1% ao mês nas aplicações de renda fixa – Fundos DI, CDB, Tesouro Selic, etc. – era fácil, fácil. Porém, nos últimos meses o cenário mudou. Com a inflação controlada, abaixo da meta, e a taxa de desemprego ainda em alta, o COPOM colocou a Selic num patamar muito reduzido para os padrões brasileiros (e deverá cair ainda mais nas próximas reuniões), o que é muito bom para o setor produtivo e, por conseguinte, para a recuperação econômica do país.

Quem não deve estar muito contente com a situação são as pessoas que sempre deixaram o dinheiro na renda fixa e, sem esforço algum, tinham um rendimento mensal formidável. Contudo, a festa acabou! Se você quiser ter um retorno maior precisará se arriscar um pouco mais em ativos de renda variável. Isso é muito bom para a bolsa de valores, para o setor imobiliário, para o setor produtivo, para o Governo (maior arrecadação de impostos) e para a maioria dos brasileiros – mais empregos, mais renda e maior facilidade ao crédito. Quase todos ganham com os juros baixos, exceto os rentistas acomodados.

Os juros baixos facilitam a vida das empresas: diminui o custo das dívidas e facilita os novos investimentos, o que gera mais empregos e maior lucro para os acionistas. Assim, as empresas de capital aberto serão muito beneficiadas, pois ocorrerá uma migração natural dos investidores de renda fixa para a renda variável. Outros fatores também devem impulsionar a bolsa brasileira. Veja:

1.      A posição em bolsa de valores dos grandes fundos locais ainda é muito baixa. Isso deverá mudar nos próximos meses, o que aumentará significativamente o fluxo de investimentos em ações.

2.      O cenário externo mais complicado poderá em algum momento favorecer o Brasil. Lembre-se da falta de sincronia entre os mercados desenvolvidos e o Brasil desde o final de 2012. Lá, as bolsas estão no final de um longo ciclo de alta e por aqui mal começamos. O fluxo dos estrangeiros para o Brasil tende a permanecer em alta no médio prazo.

3.      As eleições em 2018 deverão ter um impacto nos ativos de renda variável e, a meu ver, possivelmente de forma positiva: consolidação e eleição de um candidato pró-ajuste fiscal.

Assim, a bolsa brasileira continua com um viés extremamente positivo. Não deixe para você entrar tardiamente no mercado de ações. Aproveite os momentos de correção para elevar sua participação em renda variável. Outra opção é se contentar com o rendimento de 5% ao ano nos investimentos tradicionais de renda fixa. A escolha é sua.

MJR



sexta-feira, 9 de março de 2018

Atualização mensal do IBOV – Março 2018





Continuamos firmes e fortes no nosso BULL MARKET.

As turbulências de fevereiro e a volta da volatilidade dos mercados americanos não impactaram nosso mercado.

Nem o engavetamento da reforma da previdência foi capaz de tirar o fôlego da bolsa brasileira.

E para facilitar o caminho dos ativos de risco no Brasil, notícias positivas não param de pipocar todos os dias nos jornais: juros básicos devem cair ainda mais, inflação em queda, retomada do crescimento da economia e o mercado imobiliário se aquecendo, dentre outros.

Assim, sigo muito otimista com a economia brasileira para os próximos anos e, por conseguinte, para a bolsa. E para o curto prazo?

Pelo menos para os dois próximos meses, não vejo mudanças neste cenário. Acredito que a bolsa seguirá em alta. Mas, talvez, a partir de maio, o cenário externo, a sazonalidade e as eleições presidenciais locais poderão afetar a bolsa, negativamente.

Pelo gráfico semanal, o meu alvo para o IBOV encontra-se em 95 mil pontos. Só mudarei de expectativa se o IBOV perder, em fechamento da semana, o patamar dos 83.900 pontos. Caso isso ocorra, entraremos numa tendência de baixa no curto prazo e poderíamos buscar os fortes suportes em 78 e 80 mil pontos.  

Por último, gostaria de citar que o gatilho para uma nova “pernada de alta”, deverá ser a superação da faixa dos 88 mil pontos nas próximas semanas.

Abraço.

MJR


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Grau de investimento – O Brasil é rebaixado mais uma vez e a bolsa bate novo recorde.



Um dos assuntos da última sexta-feira foi o novo rebaixamento do Brasil pela agência de risco Fitch, e, curiosamente, a bolsa bateu novo recorde: acima dos 87 mil pontos. Você poderia me perguntar: não deveria ser o contrário?

O Brasil perdeu o grau de investimento em 2015. E depois disso sofreu novos rebaixamentos. Na prática, o que muda para o país? O que muda para você? Veja algumas ponderações:

·        As três principais agências de Rating são a S&P, a Moodys e a Fitch, todas estrangeiras. São agências privadas e independentes que avaliam o risco de calote dos países (risco soberano) e das empresas de capital aberto (risco corporativo), sejam elas públicas ou privadas. Desta forma, as agências estimam a probabilidade de inadimplência futura do emissor avaliado.

·         A análise é quantitativa (relatórios financeiros) e qualitativa (qualidade da gestão, crescimento esperado, competitividade no mercado e vulnerabilidade ao mercado e ao sistema econômico).

·         Veja os quatro fatores principais que são avaliados para o rating: os chamados 4Cs:
o    Caráter do emissor – histórico de crédito.
o    Capacidade de pagar as dívidas – análise financeira.
o    Colateral oferecido – garantia específica de cada título emitido.
o    Covenants da emissão – direitos e deveres contidos no documento da emissão do título.

·         Existe uma graduação básica das agências. Resumidamente temos dois níveis:
o    Grau de investimento (Investment grade): isto é, alta probabilidade de pagamento dos juros e da devolução do valor principal investido no vencimento do título.
o    Sem grau de investimento (Non-investment grade – junk): o contrário.

·         Qual a importância dos países terem o Grau de investimento?
o    Ao emitir dívidas o Governo pagará menos juros. O mercado exige menos de um bom pagador. O endividamento público faz parte de qualquer Estado. O Governo sempre precisará de recursos de terceiros para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de vida da população, e por isso precisa almejar juros baixos.
o    Grandes fundos internacionais somente podem investir em países com o chamado Grau de Investimento (proibição estatutária), porém, na prática isso é irrelevante.

·         Por último, o mais importante de tudo. As notas das agências são tardias.  O mercado financeiro é muito mais rápido e eficaz. Enquanto as notas de crédito caem, a bolsa sobe, pois o mercado financeiro entende que o Brasil está no caminho certo e a economia está melhorando e vai melhorar muito mais. Se você esperar o Brasil voltar a ter grau de investimento para comprar ações, será muito tarde, pois será o fim do ciclo de alta. Lembre-se de que o Brasil recebeu o grau de investimento em 2008 e, depois disso, a bolsa só caiu até 2015, justamente quando o país ainda tinha o grau de investimento.

Posto isto, não confunda alho com bugalho. Esqueça a mídia não especializada e as agências de risco.

MJR


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O S&P e o IBOV



Comecei a acompanhar o mercado financeiro em 2008. Isso mesmo, no ano em que as bolsas derreteram mundo afora, inclusive no Brasil. Assim, a minha jornada foi iniciada num banho de sangue.

Desde o começo, comprovei com os próprios olhos que o IBOV mantinha uma correlação direta com S&P – o principal índice americano (e do mundo). Veja o gráfico inicial. Contudo, ao final de 2012, os mercados se descolaram. Em 2013 eu buscava compulsivamente o motivo desse distanciamento. Todavia, descobri a razão apenas em 2014: o Brasil tinha ficado para trás pelo efeito Dilma. As mazelas da ex-presidente (e do Guido, é claro) destruíram a economia local e o mercado financeiro, como sempre, apenas antecipou a tragédia econômica tupiniquim.

Enquanto as bolsas americanas estão em alta desde 2009, num dos mais longevos ciclos de alta de todos os tempos, o IBOV ficou estagnado até o final de 2015. O índice local somente deu sinais de vida em janeiro de 2016. De lá para cá, já subimos mais de 100%. Então, será que já recuperamos todo o tempo perdido?

Façamos uma simples comparação entre o IBOV e o EWZ. Este último é um “ETF Brazil” negociado nos EUA em dólares que segue o desempenho das ações brasileiras. Veja os gráficos. Perceba que, enquanto o IBOV superou o topo de 2008 (primeiro gráfico), o EWZ não chegou nem na metade da marca de 2008 (segundo gráfico). Somente por isso, fica bem claro que estamos apenas no começo do ciclo de alta. Outro ponto positivo: a economia real no Brasil melhorou muito no pós-Dilma (inflação, taxa de juros, câmbio e confiança dos empresários, dentre outros indicadores) e ainda temos muito para recuperar, especialmente no que tange aos empregos, basta que a eleição de 2018 não atrapalhe a recuperação econômica. É provável que tenhamos vários anos de crescimento pela frente. Se a economia cresce, os lucros das empresas crescem e, consequentemente, as ações seguem em trajetória de alta. Simples.





E o mercado externo pode nos atrapalhar? Com certeza, mas se fizermos o dever de casa, entenda-se, a reforma de previdência em 2018 ou 2019 (controle de gastos públicos) e a eleição de um Presidente pró-reformas, o início de um ciclo de queda lá deverá nos afetar apenas de maneira pontual e tímida. Lembre-se de que eles estão no final de um ciclo de alta e aqui estamos começando o ciclo.

Por que as bolsas nos EUA devem corrigir em 2018? O mercado de trabalho lá está próximo do pleno emprego e os juros básicos nos EUA começaram a subir, e devem subir mais com a volta da inflação. E ela vai voltar, inexoravelmente. Com o pleno emprego, os salários começarão a subir (menor lucro para as empresas), refletindo em mais dinheiro na economia e mais inflação. Desta forma, uma inflação maior, uma taxa de juros em elevação e a redução do lucro das empresas determinarão a correção do mercado de ações nos EUA. Outro fator decisivo: nenhum mercado sobe para sempre (alta de mais de 300% desde o fundo em 2008). Em algum momento o mercado americano precisaria corrigir, e me parece que chegou a hora (2018).

Resumindo: o prognóstico para o IBOV é muito bom. Já para o S&P nem tanto. Desta forma, não será desta vez que esses mercados andarão de mãos dadas. A não ser que os eleitores brasileiros decidam pela volta da turma da Dilma ou por coisa pior.

MJR

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O Lula e a Bolsa



Após 15 dias de merecidas férias, meus comentários estão de volta ao blog.

Gostaria de comentar um assunto muito importante: o julgamento do Ex-Presidente Lula no TRF-4.

O mercado financeiro apostava no placar de 3 a 0, o que foi confirmado no dia 24 de janeiro. A alta do IBOV, de meados de dezembro até a semana passada, foi mantida justamente por essa premissa e por forte aporte financeiro dos estrangeiros. Confirmada a decisão, o IBOV continuou sua escalada e fechou a semana passada com elevação superior a 5%.

A correção atual era totalmente esperada. O patamar de 80 / 81 pontos deverá ser um bom ponto de suporte para as próximas semanas. Uma correção mais forte até os 77 mil pontos (penúltimo topo) também seria normal.

Mas, por que o mercado não quer a volta de Lula? Apesar da convivência pacífica entre o Ex-Presidente e o mercado financeiro entre 2003 e 2010, o cenário atual é totalmente distinto. Lula perdeu sua força. O PT perdeu o apoio popular na classe média e, notadamente, a credibilidade de outrora. Resta ao PT o discurso populista e de extrema-esquerda, que nos colocou num tremendo buraco na gestão Dilma.

As contas públicas estão em frangalhos. A eleição de outra Dilma poderia enterrar de vez a recuperação econômica. E Lula era a maior ameaça.

Posto isto, se tudo continuar como está provavelmente o Brasil elegerá um Presidente pró-reformas, o que potencializará a recuperação da economia, a geração de empregos e um forte ciclo virtuoso por alguns anos.

A reforma da previdência é uma questão de tempo. Não há outro caminho. Sairá em 2018 ou no começo de 2019. O déficit de 2017 beirou os 200 bilhões de reais. Se a reforma ocorrer em 2018 (até 
aqui improvável), a bolsa subirá muito mais, pois esse fato não está precificado.

É provável que a corrida eleitoral comece de verdade a partir de março. A volatilidade voltará com tudo, mas lembre-se que o viés é de alta. Dificilmente o IBOV reverterá para uma tendência de baixa de longo prazo.

Mesmo com uma hipotética forte queda nos mercados internacionais em 2018 (o que é possível), a queda aqui deverá ser pontual, na verdade uma grande oportunidade – caiu, comprou! Existe um “GAP” gigantesco entre os topos das bolsas dos países do primeiro mundo e o da bolsa brasileira. Estamos muito atrasados, talvez anos. Apenas fatores internos, políticos mais precisamente, podem alterar a direção do IBOV.


Sempre é bom lembrar que o mercado financeiro anda na frente do “mundo real”. Se ele está apontando que a economia brasileira vai melhorar, é porque existe uma grande chance disso se efetivar. Desta forma, continuo muito otimista com o Brasil e, por conseguinte, com o IBOV para o longo prazo. Sem o Lula, melhor ainda. O caminho do sucesso deverá ser menos árido.

MJR