quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

IBOV – Perspectivas para 2017: curto e médio prazo.



Antes de comentarmos os aspectos gráficos, faço algumas ponderações macroeconômicas:


1.      Após o topo do ano em 65 mil pontos, o IBOV recua quase 12%, no momento em que escrevo (57 mil). Antes deste recuo a alta acumulada no ano era de 50%. Reduzimos o movimento para 30%. Mesmo assim, muito acima do CDI, 14% ao ano.

2.
     
Até as eleições americanas, o IBOV manteve uma ótima correlação com os mercados americanos. Porém, de lá para cá, enquanto o IBOV despencou, o DJI subiu mais de 10%. Uma divergência de mais de 20%!

3.     
Este fato é muito incomum, ou seja, o descolamento entre as bolsas. Segundo analistas, esta divergência decorre principalmente das propostas de Trump para incentivar a economia americana, especialmente na área de infraestrutura. Isto poderia aumentar a inflação por lá e, por conseguinte, a taxa de juros. A prova disso foi a disparada dos yields dos títulos americanos nos últimos dois meses. Por que isto é ruim para os emergentes? Por dois motivos principais: pressiona a cotação do dólar frente ao real e os juros mais atrativos por lá, teoricamente, “retiram” o dinheiro daqui. Simples. A reação imediata do Federal Reserve foi aumentar os juros em dezembro, agora entre 0,5 e 0,75%, e prever mais aumentos para o ano de 2017.

4.     
Contudo, este processo ainda é muito especulativo. É verdade que o mercado financeiro anda na frente da economia real, mas por vezes de forma errática.

5.     
A fraqueza da economia brasileira também pesou neste desequilíbrio. Esperava-se uma reação mais rápida em 2016, o que não aconteceu.

6.     
A crise política também contribuiu para o estrago e pode contribuir ainda mais no começo de 2017 com as delações da Odebrecht.

7.     
Outro fator que contribui para a queda do IBOV foi a “necessidade” de uma correção mais forte no índice, após meses seguidos de alta. Nenhum ativo sobe eternamente em linha reta. As correções são saudáveis num Bull Market.

8.     
Como escrevi no post anterior, mesmo que o Temer não siga como presidente, as reformas fiscais continuarão. O processo poderá ser um pouco mais lento, mas o caminho é inexorável rumo às reformas.

9.     
É preciso entender que as reformas fiscais e o ajuste das contas públicas são imprescindíveis para a queda sustentável da taxa básica de juros. 

10. 
A inflação cedeu em 2016 e o Banco Central do Brasil vai acelerar o ciclo de queda da Selic. Juros em queda, Bolsa em alta. Pura verdade. Os motivos são vários, mas acredite, esta correlação é muito estreita.


Após compreender os dados acima, comentemos os gráficos:


1.     
No curto prazo a volatilidade continuará. Aguente firme. O primeiro trimestre de 2017 não será fácil. O viés de curto prazo é claramente baixista.

2.     
Desde o começo de novembro o IBOV entrou numa clara tendência de baixa pelo gráfico diário. Veja a linha de tendência de baixa em vermelho no próximo gráfico. Somente o rompimento desta linha e com bom volume financeiro poderá reverter a tendência de curto prazo.




3.     
Após perder o suporte em 59 mil pontos, a próxima forte barreira está entre os 55 e 57 mil pontos (veja abaixo), que corresponde ao fundo de setembro de 2016, a média móvel de 200 períodos, a retração de 61,8% do último movimento de alta (gráfico mensal) e uma linha de tendência de baixa de longo prazo que foi rompida neste ano e que deverá funcionar como suporte. É possível que o mercado se segure aqui. No gráfico semanal ainda estamos em tendência de alta. Seria interessante não perder o último suporte comentado.




4.     
 Agora, se perdermos este patamar, o IBOV buscará os 48/50 mil pontos, isto é, uma queda de mais de 10% sobre a cotação atual.

5.     
Confesso que até o início do mês de dezembro eu acreditava que este fortíssimo suporte em 55/57 mil pontos não seria perdido, mas atualmente acho que esta possibilidade é real no começo de 2016. Especialmente se houver um agravamento no cenário político e o mercado lá fora começar a corrigir, haja vista que as bolsas lá fora estão muito esticadas.

6.     
Contudo se o mercado reagir com intensidade neste suporte, a trajetória de alta será retomada.

7.     
A tendência no gráfico mensal é de alta e com forte volume financeiro em 2016.  Mesmo que a correção seja mais intensa é improvável que percamos esta tendência de alta em 2017.



8.     
Os alvos de médio e longo prazo para o IBOV são: 65 mil pontos (máxima de 2016), 73 mil (topo histórico) e 82 mil pontos na projeção clássica de Fibonacci, considerando a réplica da última perna de alta. E digo mais, se o cenário político-econômico colaborar e a economia local mostrar sinais de recuperação poderemos atingir até os 100 mil pontos. É uma hipótese plausível.  


Posto isto, fica claro que o cenário de curto prazo é muito incerto. Contudo, visando o longo prazo, devemos aproveitar a histeria do mercado e aumentar as posições acionárias. Não compre de uma só vez. Compre aos poucos.  Essa é a estratégia mais sábia e eficiente. Ninguém consegue prever o fundo. É impossível. Assim, como o cenário para o longo prazo é muito promissor continue aumentando seu portfólio em ações. E mais uma vez: aplique somente o montante reservado ao longo prazo. Não misture prazos operacionais. Mantenha a reserva de curto prazo em ativos de baixo risco e com liquidez imediata.

Feliz Natal e Ótimo Ano Novo. 

MJR

* no primeiro post de 2017 comentarei sobre os investimentos para o ano. 


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Um balanço de 2016: o ano foi bom ou ruim? O que esperar em 2017?



Últimas manchetes: Supremo Tribunal Federal determinou que o rito do impeachment na câmara recomeçasse do zero. Inflação descontrolada: mais de 10% ao ano. Dólar cotado perto dos 4 reais. Taxa Selic em 14,25%. Juros Futuros acima dos 16%. PIB ladeira abaixo. Governo Federal atônito, sem saída e isolado, sem apoio popular e do congresso. Desemprego em franca aceleração. Não havia esperança. Uma descrença generalizada... Este era o cenário em dezembro de 2015. Após 12 meses, o que mudou?

Se esquecêssemos dos dados acima, poderíamos responder de imediato que nada mudou. Que a crise econômica continua a mesma, ou até piorou. E que o ano de 2017 será mais do mesmo. Será? Tenho convicção que não. Muita coisa mudou, e para melhor. Teremos um ano vindouro melhor. Não tenho dúvida. Somos influenciados pelo imediatismo. Esse é o nosso erro. Contudo é preciso avaliar o cenário atual numa visão mais ampla. Você pode até não gostar do governo Temer. Mas um fato é certo, posso garantir, ele avançou muito, e em pouco tempo. Estamos saindo do fundo do poço:

·         As Estatais passaram a ter um desempenho muito melhor: BNDES, Petrobrás, Banco do Brasil e Eletrobrás. Gestão. Credibilidade. Redução das dívidas. Avanços inegáveis.

·         A equipe econômica é infinitamente melhor do que as anteriores. E o mais importante: ela é técnica e coesa. Nada de malabarismos contábeis ou incentivos fiscais pontuais que levaram o Brasil para uma crise fiscal sem precedentes. O foco é melhorar o ambiente de negócios, controlar as contas públicas e destravar o crescimento. Henrique Meirelles e sua equipe foram rápidos em propor medidas impopulares, mas efetivas. A PEC do teto dos gastos foi um avanço histórico. O governo não pode gastar mais do que arrecada: é uma questão básica, mas fundamental para o equilíbrio das contas públicas e a queda dos juros.  A reforma da previdência precisa avançar. Não existe outra saída. O sistema atual é muito defasado, privilegia poucos e está completamente falido. A situação financeira do Estado do Rio de Janeiro é a prova cabal: seria o futuro do país se nada fosse feito.

·         A inflação foi definitivamente controlada. Em 2016 ela ficará perto do teto da meta (6,5%). No próximo ano, 2017, convergirá para o centro da meta: 4,5%, após vários anos de descontrole. A herança maldita do governo Dilma finalmente será combatida.

·         Os juros básicos caíram 50 pontos-base em 2016 e vão cair muito mais em 2017. Isso fará com que o crédito volte e que os investimentos sejam retomados no país.

·         Recentemente, o governo propôs que as empresas renegociem suas dívidas e que o crédito seja facilitado à pessoa física. Medidas corretas e bem-vindas. Nada de fantasias fiscais. 

·          O Brasil vai crescer em 2017, pouco é verdade, mas é uma situação muito mais saudável do que o PIB cair por três anos consecutivos, como ocorreu em 2014, 2015 e 2016.

·         A criação de empregos voltará lentamente, mas voltará. É uma questão de tempo. Numa crise, sempre é o último indicador a se recuperar. Não existe milagre.

·         Mesmo com as turbulências políticas vindouras com as delações da Odebrecht, o país avançará com as reformas. Existe uma diferença básica entre os governos Dilma e Temer: apoio do congresso. Isso é traduzido em governabilidade. Todavia, mesmo que o Temer seja derrubado, pelo TSE ou por outra via, teremos eleições indiretas em 2017 e o país continuará saindo do buraco. As reformas continuarão. Este é o fluxo natural.

·         Decididamente não será um caminho fácil e sem obstáculos, mas estamos no rumo certo.

Posto isto, esqueça as previsões catastróficas da mídia. Esqueça as notícias de curto prazo. Mire no futuro. Pense em melhorar e ampliar seus negócios. Mais dias, menos dias, o nosso país voltará a crescer com vigor. Tenho total convicção nesta premissa. Faça sua parte e, em breve, teremos um país melhor. 

MJR


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Compre aos poucos, mas continue comprando!



Alguns leitores e amigos têm me perguntado nos últimos dias, o que fazer com os investimentos após as turbulências políticas, internas e externas, desde o começo de novembro. Leia o que penso sobre o assunto:

1 – As incertezas políticas por aqui vão continuar. Mudaremos apenas o assunto. Já foi o “Fora Dilma”, o “Fora Cunha” e agora é o “Fora Renan”. Aos poucos estamos expurgando os malfeitores de Brasília. Mesmo que venha o “Fora Temer” no ano que vem, pela lei, teremos uma eleição indireta no Congresso Nacional. Seja lá quem for assumir, será muito melhor que a turma do PT. Portanto, as melhorias serão constantes, mas paulatinas. Tenha paciência.

2 – As reformas necessárias para sairmos da crise econômica estão andando. A PEC do Teto está próxima do desfecho. Mesmo com o pedido de afastamento do Renan e a “posse” do petista Jorge Viana, dificilmente o cenário mudará, pois a oposição (PT e Cia) atualmente é uma minoria inexpressiva. O que pode acontecer é um caminho um pouco mais tortuoso para sua aprovação final. A reforma da Previdência foi encaminhada ao Congresso. O caminho será longo, mas o Presidente do Senado será outro a partir de fevereiro (eleição bianual).

3 – O desempenho e as práticas de algumas Estatais mudaram da água para o vinho. Ouvi isso de um renomado gestor. Banco do Brasil e Petrobrás são os destaques. Não há termos de comparação com a gestão petista.

4 – Com o maciço apoio popular, a operação Lavajato vai continuar e o processo de depuração dos políticos também. Finalmente a corrupção generalizada no Brasil será minimizada.

5 – Os juros básicos estão em trajetória descendente. É um caminho sem voltas, inexorável. O Presidente do BC começou com cortes pequenos (50 pontos-base) nas últimas reuniões, mas já existe a sinalização para cortes mais generosos em 2017. A inflação está em franca desaceleração. Mesmo com a alta do dólar, a atual recessão impedirá o retorno do processo inflacionário no curto prazo. Teremos juros muito menores em 2017 e 2018.

6 – A vitória de Trump assustou os mercados, mas a histeria começou a ser controlada. Não vejo grandes interferências no Brasil para 2017.

7 – As commodities após atingirem o fundo do poço em 2016 estão em franca recuperação e isto ajudará a recuperação econômica e impulsionará a bolsa.

Posto isto, o que fazer com os investimentos?

1 – Compre bolsa. Caiu, comprou. E se o mercado cair mais? Continue comprando. No momento (últimas semanas), a bolsa está oscilando entre 58 e 65 mil pontos. Acho difícil perder os 56 /57 mil pontos, mas se acontecer, você deve aproveitar a Black Friday proporcionada pelo mercado e comprar mais. Mas lembre-se: estou falando de investimentos para o longo prazo. Não aplique o dinheiro dos presentes de Natal.

2 – Compre mais títulos prefixados e indexados à inflação. A recente alta dos juros futuros assustou muita gente, pois houve um deságio nestes títulos. Não assuste. Não venda. Aproveite o pânico do mercado e compre mais. Mais uma vez, não aplique o dinheiro do curto prazo.

Dúvidas sobre o Tesouro Direto. Conheça meu novo livro publicado na Amazon. Tenho recebido um feedback positivo de vários leitores.

MJR




* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

IBOV - Análise Técnica: 22 de novembro de 2016

No último post, prometi que escreveria sobre a situação gráfica do IBOV. Antes, gostaria de comentar três aspectos:

1 = As bolsas americanas estão em níveis recordes. Hoje, 22/11, o DJI bateu 19 mil pontos: primeira vez na história (veja). O S&P também atingiu sua máxima histórica. As bolsas americanas sobem mais de 5% desde a eleição de Trump. O presidente eleito prometeu aumentar fortemente os gastos em infraestrutura, o que favorece o crescimento econômico e o lucro das empresas. Por outro lado, isso gera inflação e aumento de juros por lá. A continuidade da alta poderá impulsionar o nosso mercado.



2 = Um novo acordo na OPEP impulsionará a cotação do petróleo. O barril Brent está cotado a 48 dólares.

3 = O preço do minério de ferro disparou nas últimas semanas na China – mais de 70 dólares a tonelada. Assim, as ações de mineradoras e siderúrgicas subiram fortemente.

Posto isto, comento o IBOV:

1 = Num primeiro momento, o IBOV caiu mais de 8% após a eleição do Trump, de 65 para 59 mil pontos. Contudo nos últimos pregões, o índice teve boa recuperação (cotado a 61.800 pontos no momento que escrevo).

2 = Comentei no post do último domingo que vivíamos um ótimo momento para aumentar as posições em bolsa. E continuo com a mesma opinião, especialmente visando o longo prazo. E o curto prazo?



3 = No dia de hoje, no gráfico diário (acima), o IBOV voltou a subir e tocou a média móvel de 21 períodos em 62.500 (seta vermelha), um importante obstáculo, e sentiu (recuou). Se rompesse (ou se romper amanhã), abriria espaço para buscar novamente os 65 mil pontos, e depois a minha meta do ano, em 68/69 mil pontos. Contudo, o mais provável é que o IBOV recue nos próximos dias e volte a testar o patamar dos 58 mil pontos (seta azul menor), sem perdê-lo, para depois subir com mais confiança. O repique dos últimos dias aconteceu com baixo volume financeiro o que favorece esta hipótese.

4 = Já no gráfico semanal temos uma semana decisiva. Após marcar o topo ano em 65 mil pontos, há três semanas, o índice corrigiu até a média de 21 períodos e fez um candle de indefinição na semana passada (veja). Hoje superamos a máxima da semana passada. Se nesta semana o IBOV não perder a mínima da semana prévia (58.300) e fechar a semana próximo da máxima, o caminho estará aberto para o rally de alta do fim de ano: rumo aos 68/69 mil.



5 = A perda dos 58 mil pontos não está totalmente descartada. Isto poderá ocorrer se as bolsas lá fora corrigirem e as commodities recuarem. De qualquer forma, o IBOV tem outro fortíssimo suporte em 56/57 mil pontos. Acho muito difícil perdê-lo em 2016, mas tudo é possível.

Importante: sempre comento que as oscilações de curto prazo têm pouca importância para os investidores de longo prazo. Não tente adivinhar o fundo do IBOV, compre em parcelas. Caiu, comprou: o viés de longo prazo ainda é de alta e isso é o mais importante. Aproveite.

MJR

domingo, 20 de novembro de 2016

Trump: a histeria do mercado e as oportunidades de investimentos



É muito interessante como o mercado financeiro reage a alguns fatos. Por vezes reage timidamente, por outras exagera na dose: uma personalidade tipicamente maníaco-depressiva. Um insano.

Quase ninguém esperava a vitória de Donald Trump, mas as chances dele, antes do pleito, não eram desprezíveis: 20 a 30%, no mínimo. Assim, apesar da surpresa, era uma hipótese plausível e que deveria estar parcialmente precificada nos vários ativos.

A eleição de Trump poderá mudar muita coisa no mundo, seja na esfera política ou econômica. É provável também que no futuro possamos sentir algum efeito no Brasil, bom ou ruim, ainda não sabemos. Contudo, um fato é certo: de imediato o resultado da eleição americana tem pouquíssimo efeito por aqui. O nosso calvário tem causas internas: o descontrole fiscal do lulopetismo, a corrupção generalizada e as incertezas políticas dos últimos anos. Somente sairemos da crise, se as medidas do ajuste fiscal forem executadas integralmente. A PEC 241 é apenas o começo. Caso contrário, a situação financeira atual do Estado do Rio de Janeiro poderá se alastrar pelo Brasil... Por enquanto, esqueçamos as bravatas ultranacionalistas de Trump.

Desde o dia 9 de novembro, os juros futuros (DI) subiram de 11,20 para 12,20% ao ano (100 pontos-base em menos de duas semanas), o dólar futuro disparou de 3,20 para 3,40 reais e a bolsa brasileira despencou quase 8%. Uma reação extremamente exagerada e, do meu ponto de vista, sem sustentação no médio prazo. Assim, o mercado criou uma bela janela de oportunidade para os investidores de longo prazo: comprar bons ativos a preços ainda mais camaradas.

Várias ações na Bovespa e o próprio índice estavam extremamente esticados – sobrecomprados. Eles precisavam de uma correção saudável. E ela veio. Pode cair mais? Claro que sim. Ninguém pode garantir que não. Mas uma coisa é certa: a assimetria atual é muito positiva para os investidores de longo prazo. Pouco espaço para quedas acentuadas e um enorme caminho para novas altas.

Esta premissa também é válida para os títulos prefixados e indexados à inflação do Tesouro Direto. A recente disparada dos juros é insustentável. A inflação está em franca desaceleração e, por conseguinte, a Selic continuará caindo. Talvez o ritmo de queda possa ser mais lento após a eleição de Trump, mas o ciclo de redução da Selic continuará, inexoravelmente. Já para a cotação do dólar, por enquanto, o melhor é aguardar. O cenário ainda é muito incerto.

Não perca a oportunidade de aumentar suas posições em renda variável: bolsa e juros prefixados. Um verdadeiro presente de Natal.

MJR


** no próximo post vou comentar sobre a situação do IBOV, do ponto de vista da análise técnica. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump venceu. E agora, o que fazer com seus investimentos?



Acompanhei durante a madrugada a apuração dos votos da eleição americana. Contrapondo todas as previsões das pesquisas, o folclórico bilionário venceu, e com certa tranquilidade, desde o início da contagem dos votos. 

A reação das bolsas mundiais foi imediata ao longo da madrugada. Tóquio despencou mais de 5% e os futuros americanos atingiram queda de 5%, gerando um circuit breaker (paralisação das negociações).

Logo após o discurso da vitória do magnata, num tom mais conciliador, os mercados reagiram bem, recuperaram as perdas, e o Dow Jones opera em alta de mais de 1,3% no momento em que escrevo.

Aqui, não foi diferente. O IBOV abriu em forte queda e reduziu a pressão vendedora ao longo do dia (queda de 1% às 17 horas; ante 3,5% após a abertura).

O dólar abriu em forte alta e cedeu parte dos ganhos durante o dia.

No curto prazo o efeito Trump foi muito fugaz e não devemos ter novidades nos próximos dias. Já para o longo prazo, a situação é muito incerta. Qual Trump governará os Estados Unidos, o da campanha, com propostas estapafúrdias, ou aquele do discurso pós-eleição? Não tenho a resposta, mas em virtude da solidez das instituições americanas, acredito que ele fará um governo mais previsível, sem solavancos. Porém, somente o tempo nos confirmará esta premissa.

Desta forma, para o final de 2016, se o processo de aprovação da PEC não apresentar surpresas no congresso, a bolsa brasileira deverá subir e o dólar tende a recuar um pouco ou operar próximo da estabilidade.

Para o IBOV, pela reação de hoje, não acredito em correções mais agudas, além dos 58 / 60 mil pontos. Meu alvo para 2016 continua em 68 /70 mil pontos. Um potencial de retorno em 10% (IBOV atualmente em 63 mil). Alguns analistas esperam por uma alta ainda maior. Será?

Os juros futuros também devem ceder em breve pela desaceleração inflacionária e pela maior estabilidade política, o que favorece os títulos públicos prefixados e indexados à inflação.


MJR

domingo, 23 de outubro de 2016

Atualização mensal – Cenário econômico e seus investimentos:



1 – No dia 19 de outubro, o COPOM decidiu começar o ciclo de queda da taxa básica de juros, a Selic. Uma decisão amplamente esperada pelo mercado. A dúvida era se teríamos um corte de 25 ou 50 pontos-base. Havia argumentos para os dois lados. Os membros decidiram por unanimidade uma redução de 0,25% (25 pontos-base). Eu, particularmente, acredito que foi uma decisão muito correta: melhor começar devagar e acelerar depois, com a melhora do cenário econômico-político.

2 – Novas quedas virão. Isto é fato. O que não sabemos é a velocidade dos cortes e o piso que a Selic chegará em 2017 / 2018. Até agora o mercado precificou uma queda total de cerca de 300 pontos-base, isto é, de 14,25% para 11,25%. Como a inflação está cedendo e o cenário político acalmando, acredito que poderemos ir muito além disso, o que seria muito bom para todos os setores da sociedade.

3 – No comunicado do COPOM, dentre algumas ponderações, ficou claro que a grande preocupação do comitê está no ritmo da aprovação das medidas do ajuste fiscal. Não há como reduzir a taxa básica de juros de maneira duradoura e efetiva, se o Governo Federal não controlar seus gastos. Este é o pilar básico para juros menores!

4 – Na próxima semana teremos a votação do segundo turno da PEC 241 na câmara dos deputados. Tudo leva a crer que governo vencerá com folga novamente. Assim, o projeto seguirá para mais duas votações no senado, e depois para a sanção presidencial. Essa medida é fundamental para a recuperação da economia (releia sobre o assunto no post anterior). Em minha opinião o único fato que poderia reduzir a força do governo Temer é uma suposta delação premiada de Eduardo Cunha, atingindo a cúpula do coverno.

5 – Tesouro Direto: apesar da supervalorização dos títulos prefixados e dos indexados à inflação, ainda vejo oportunidade de ganhos expressivos. Destaco os seguintes títulos: LTN 2023 e NTNB principal 2035.

6 – Bovespa: há um mês escrevi no blog que a bolsa estava sem força para buscar os 62 mil pontos e nem para recuar até os 54 mil. Estávamos em 58 mil. Mas naquele mesmo dia meu feeling indicava que teríamos uma nova pernada de alta sem grandes recuos. Bingo. Chegamos nesta semana em 64 mil pontos (maior patamar em 4 anos). O que fazer agora?  O fluxo de investimento para a bolsa continua ótimo: o indicador técnico OBV continua nas alturas, o que infere mais altas para o IBOV. Contudo, o movimento de curto prazo está muito esticado e uma correção poderá ocorrer a qualquer momento, o que seria muito bem-vindo para aumentar o potencial de alta ainda em 2016. O ideal seria um recuo até os 61 / 62 mil pontos. Mas nada impede que o IBOV continue em alta no curto prazo e busque rapidamente os 68 mil pontos. Um fato é certo: o viés é de alta e continuará assim, salvo algum fato novo muito fora da curva – cisne negro. A minha previsão para a cotação do IBOV no fim de 2016 é entre 65 e 70 mil pontos: alvo importante em 68 / 69 mil pontos. Não acredito em movimentos maiores ainda em 2016. Mas para o ano que vem, o céu é o limite.
Desta forma, não deixe a oportunidade passar. Tanto os títulos públicos como o mercado acionário podem te oferecer ganhos expressivos nos próximos anos. Não perca tempo e invista desde já. Aproveito a oportunidade para relembrar o lançamento do meu último livro: Tesouro Direto na Prática.

MJR

* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Tesouro Direto na Prática

Prezados leitores,




O meu sétimo livro tem um propósito único: repassar para os leitores o meu conhecimento adquirido nos últimos anos atuando diretamente no mercado financeiro, pois sempre percebi um vácuo de conhecimento na sociedade, inclusive entre os mais escolarizados. Não quero entrar em mínimos detalhes e nem complicar o assunto. Vou oferecer dicas básicas e diretas para você aplicar seu dinheiro no Tesouro Direto. Posso garantir que investir em títulos públicos é muito simples, mas devemos respeitar alguns quesitos básicos, que vou repassar de maneira clara e objetiva. A missão é simplificar o assunto. Se fosse uma aula, seria um como eu faço. Este é o objetivo!

Cito que existem inúmeros artigos na internet e outros tantos livros publicados sobre o tema, porém quase sempre o assunto é fragmentado, prolixo, complexo e por vezes sem nexo algum. Posso garantir ainda que o conteúdo deste livro está disponível gratuitamente em vários sites na internet, inclusive no site oficial do Tesouro Direto, basta você pesquisar. Mas também tenho a certeza, sem modéstia, que você não encontrará um “passo a passo” tão prático, objetivo e ilustrado, como este guia. Tenho total convicção que após a leitura você estará apto e mais confiante para investir em títulos públicos.  No final mostro ainda os vários investimentos que fiz no TD na vida real, de 2011 a 2016, e com ganhos expressivos – Tesouro Direto na Prática. Comento ainda um comparativo entre o investimento nos títulos do TD e nos planos de previdência privada complementar.

MJR.

Sumário
·         Introdução
·         Generalidades
·         Taxas envolvidas
·         Nova nomenclatura
·         Principais características dos títulos públicos
·         Um pouco sobre a precificação dos títulos
·         Liquidez
·         Marcação a mercado
·         Títulos disponíveis
·         Pagamento e recebimento
·         Cupons semestrais
·         Imposto de renda e como declarar no ajuste anual
·         Onde comprar os títulos
·         Objetivos, cenários econômicos e táticas operacionais
·         Exemplos reais executados por mim de 2011 a 2016
·         Como montar uma carteira de títulos públicos
·         Onde investir: títulos públicos ou planos de previdência?

·         Comentários finais

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

PEC 241



Hoje é o dia da votação em primeiro turno da proposta de emenda constitucional que limita os gastos públicos – a chamada “PEC dos gastos públicos”. O Brasil está literalmente quebrado. Não é uma falácia. É uma simples constatação contábil. A farra dos gastos públicos chegou ao extremo. Ou mudamos agora, ou o nosso futuro sombrio está selado.

Recentemente em São Paulo durante um evento promovido pela revista Exame, o atual presidente proferiu as seguintes palavras: “a crise que enfrentamos é a mais grave da nossa história e sua origem é interna e fiscal; o Estado endividou muito além de sua capacidade e gerou recessão e desemprego”. A importância desta frase é fenomenal, pois para um tratamento ser efetivo, o primeiro passo é um diagnóstico correto. O Governo anterior insistia em dizer que a crise brasileira de 2011 a 2016 era oriunda de problemas externos. Um discurso maquiavélico que levou o Brasil a uma das piores crises financeiras de sua história, senão a pior, como citou o atual presidente.

A dívida bruta do país cresceu vertiginosamente na última década e alcançou 72% do PIB. Se nada for feito, ela atingirá 85% em 2018, e 100% em 2024. Quais os resultados práticos desta calamitosa situação fiscal para a população? Juros cada vez mais altos, inflação alta e resiliente, e o mais terrível, o descontrole fiscal afugenta novos investimentos, o que impede a retomada do crescimento econômico e a geração de novos empregos. Atualmente, são mais de 12 milhões de desempregados no Brasil.

Por mais que o assunto seja indigesto, ele precisa ser debatido e principalmente compreendido por nós. O Estado por si só não gera riqueza. Quem a produz? As empresas e o povo. Desta forma, se as empresas e as famílias têm seus limites de gastos, por que o Governo não pode ter? O gerenciamento dos recursos é baseado na receita, portanto, o orçamento precisa ser proporcional aos ganhos. Simples! Desde o começo da década de 90, o Governo Federal aumentou de forma acelerada seus gastos, particularmente de 2011 a 2016. Somente a previdência social tem um rombo anual de 8% do PIB. Até meados da década passada, a farra era mantida pelo incessante aumento de impostos. Contudo, a carga tributária chegou ao limite – 35% do PIB – níveis de primeiro mundo, com retorno à população, de terceiro mundo. Basta de impostos!

Desta forma, ou começamos a resolver o problema agora, e a PEC 241 é apenas primeira medida, ou deixaremos esta herança maldita para as futuras gerações. Existe uma bravata recorrente dos opositores, que a PEC retirará dinheiro da Educação e da Saúde. Uma mentira. Um golpe rasteiro. A PEC propõe que, a partir de 2017, o Governo precisa gerir melhor os recursos disponíveis, pois o orçamento do ano seguinte será ajustado pela inflação do ano anterior. Uma medida simples, mas que terá um resultado fantástico. Até então os gastos públicos subiam muito além da inflação, ano após ano.


Não seja contra a PEC, apenas por ser. Entenda a proposta e busque novas fontes de informação para compreender melhor a grave situação econômica em que vivemos, gerada pela recorrente má gestão dos governos anteriores. É hora de mudar. Talvez tenhamos hoje uma das melhores equipes econômicas de todos os tempos. E melhor, todos eles são técnicos. Não são políticos de carreira. É preciso oferecer um voto de confiança!

MJR

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Índice Bovespa segue indefinido no curto prazo, mas com viés altista.



Apesar da forte tendência de alta do IBOV desde o final de janeiro de 2016, nos últimos dois meses o índice está “de lado”, oscilando entre 55 e 60 mil pontos – hoje fechou em cerca de 58.700 pontos. Assim, por enquanto, o IBOV não mostrou força para buscar os 62 mil pontos, nem para recuar até os 54 / 55 mil pontos.

A maioria dos analistas e gestores do mercado concorda que o viés é de alta para o último trimestre de 2016, mas muitos discordam se, teremos ou não, uma correção mais aguda antes da retomada da alta. Confesso que ainda não tenho uma opinião formada, mas se fosse para “apostar”, acho que o IBOV fará uma nova pernada de alta em breve, sem grandes recuos.

Para o pequeno investidor de longo prazo, passado o processo de impeachment, esta indefinição de curto prazo tem pouca importância. Chegou a hora de montar uma carteira de longo prazo (ou aumentar a exposição) visando os próximos 5 anos. Se a economia brasileira se recuperar (e ela vai recuperar), a bolsa vai “bombar”. Desta forma, a assimetria é muito interessante. Se o IBOV cair, a queda será pequena, mas se subir, a alta deverá ser intensa (150 mil pontos?). Excelente risco-benefício. Portanto, compre ações aos poucos, mensalmente, aproveitando os momentos de queda, e monte uma bela carteira com bons ativos.

Alvos para o IBOV em 2016: 60, 62 e 68 mil pontos. Na minha opinião, o alvo mínimo é 62 mil pontos. E os suportes? O suporte mais próximo está em 56.500 pontos. Depois, vem o fortíssimo suporte na faixa 54 e 55 mil pontos, que dificilmente será perdido, mas se for, a próxima parada será em 48 mil pontos. Este patamar, se violado, retira o IBOV da tendência de alta no gráfico semanal – situação muito improvável pelo cenário atual.


* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.




sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Investimentos no pós-impeachment



Passado o processo de impeachment (se o STF não complicar) quais são os drivers para seus investimentos. Dentre os vários fatores existentes, julgo cinco os mais relevantes, veja:

1 – Juros americanos: a elevação dos juros americanos que ocorrerá em breve, setembro ou dezembro de 2016, poderá frear o ímpeto das bolsas mundiais, incluindo a Bovespa. Pessoalmente, acho que uma pequena elevação dos juros (0,25%) terá pouco efeito por aqui. Mas não dá para ter certeza. Outra consequência imediata é alta do dólar frente às outras divisas, incluindo o real.

2 – Petróleo: atualmente o barril de petróleo (Brent) está cotado a 48 dólares. Muito acima do piso de janeiro em 27 dólares e bem abaixo dos 110 em 2014. Vários acordos internacionais buscam reduzir a produção mundial e com isso promover a alta do petróleo. Se o petróleo superar a forte resistência dos 50 dólares, ele buscará naturalmente os 60 dólares no curto prazo. Petróleo em alta, bolsas em alta. Simples assim!

3 – Correção das bolsas mundiais: o S&P500, o mais importante índice de ações do mundo, e que dita o rumo das outras bolsas mundiais, está junto das máximas históricas. Muitos analistas acreditam que uma forte correção pode está próxima. Se isto realmente acontecer, o índice americano levará o IBOV junto.

4 – Ajuste fiscal: a partir de agora, o governo Temer precisa fazer muito mais. A lua de mel do mercado com o governo acabará em breve. Chega de falácias e de boas intenções. Os investidores e empresários querem propostas efetivas para o controle das contas públicas. Se as reformas não saírem do papel, o Brasil não sai da crise. O Brasil é inviável no longo prazo sem o ajuste fiscal: a dívida do setor público é insustentável. Por outro lado, a aprovação das medidas no congresso fortalecerão os ativos de renda variável. Com isso poderemos ter um grande fluxo de dólares para o país, impulsionando o IBOV e derrubando a cotação da moeda americana. Sempre é bom lembrar que a queda no dólar ajuda no controle da inflação.

5 – Taxa Selic: a última reunião do Copom apontou timidamente que o início de um ciclo de queda na taxa de juros pode está próximo. A inflação já mostra algum grau de enfraquecimento. Contudo, o Banco Central deixou bem claro que o ajuste fiscal precisa ser efetivado para que a queda da Taxa Selic seja sustentável. Outro possível problema: a alta de juros no EUA. Qual seria o impacto sobre a nossa economia? Mesmo assim, acho que a Selic começará a cair ainda neste ano.

Posto isto, onde investir?

1 – Bolsa: aumente sua posição gradualmente visando o longo prazo. O viés é positivo e a combinação dos fatores acima citados deve favorecer o desempenho da bolsa brasileira. Faça aplicações aos poucos, mensais, aproveitando o sobe e desce do mercado, e seja sócio apenas das boas empresas. Compre as ações nos momentos de queda!

2 – Dólar: não vejo muito espaço para uma apreciação significativa da moeda americana. Por outro lado, um grande fluxo de entrada de capital estrangeiro poderá derrubar a cotação do dólar. Sugiro manter comprado apenas uma parte de seu capital com o intuito de proteção (hedge), talvez 10%.

3- Títulos prefixados: venho comentando há muito tempo para a compra de títulos prefixados. Chegou a hora de aumentar ainda mais a posição nestes papéis (LTN 2023) ou naqueles vinculados à inflação com vencimento mais longínquo (NTN-B 2035), haja vista que a taxa Selic provavelmente começará a cair em breve. Assim, mantenha aplicado nos títulos pós-fixados somente aquela quantia destinada ao curto prazo.

MJR


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Impeachment concretizado



Fim de uma era que não deixará saudades. Fim de um governo inepto. Fim de uma presidente que nunca deveria ter sido conduzida ao cargo. Uma administração desastrosa e ineficiente, permeada por uma rede de corrupção sem precedentes. Cinco anos e meio de retrocesso.

E agora, o presidente Temer vai nos tirar da crise? Tenho lá minhas dúvidas. O fisiologismo do congresso continua o mesmo. Acordos obscuros surgem a todo o momento, na calada da noite. O desmembramento da votação do impeachment é a prova cabal disso.

Será que o presidente Temer conseguirá vencer estes grandes desafios? Com Dilma a situação estava decretada. Caminharíamos para o agravamento da crise econômica e política. Com Temer existe alguma esperança em dias melhores, mesmo que tímida. Espero que a união tão difundida pelos senadores nos últimos dias, entre o executivo e o legislativo, seja efetivada nos próximos meses.

Assim, feliz estou pelo dia de hoje, mas ainda muito apreensivo e incomodado com o futuro do país, pois se os ajustes não saírem do papel, continuaremos o nosso calvário.

MJR

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Estamos a uma semana de tirar o “bode da sala”.



Desde janeiro de 2011 estamos num desgoverno sem precedentes. A “futura ex-presidente” nos conduziu para uma crise arrasadora e interminável. Retração no PIB nos últimos dois anos. Mais de 11 milhões de desempregados. Inflação descontrolada. Desindustrialização. E o pior, a falta total de perspectiva, não havia esperança. A minha impressão é a de que o governo federal não parava de cavar a nossa própria cova. E a “futura ex-presidente” nunca assumiu os erros na condução da economia. Era a “Dilma no país das maravilhas”.  Uma piada de mau gosto.

Nunca tive paixão pelo PMDB e muito menos pelo presidente interino Michel Temer. Por outro lado, não temos outro plano B, ele é o único caminho para atravessarmos os próximos dois anos até as eleições de 2018. É preciso um presidente aberto ao diálogo para enfrentar o inóspito congresso nacional eleito por nós. Um colegiado repleto de vícios e de pouca inspiração. Um fisiologismo sem igual. É cada um por si, interesses próprios e nada mais.

Na semana passada, a “futura ex-presidente” deu sua última cartada: propôs um pacto nacional e um plebiscito para convocar novas eleições presidenciais. Uma solução não prevista na Constituição. A pergunta que surge imediatamente: por que ela não fez a proposta antes, quando a povo foi para as ruas e sua popularidade bateu recorde negativo, menos de 10% de aprovação?  É puro oportunismo. Ela e a turma dela querem ludibriar novamente a população com falsas promessas. Não se deixe enganar. Eles sequer assumem os erros.

Não temos outro caminho. É finalizar o longo e cansativo processo de impeachment, e recomeçar a reconstrução do Brasil. Temos muito potencial. Se o governo Temer ajudar e não atrapalhar, o crescimento da economia voltará rapidamente. Já temos uma previsão de crescimento para 2017 de 1,2%, segundo o último relatório Focus do Banco Central. Mas se as reformas necessárias forem feitas e o ajuste fiscal vier para valer, cresceremos muito mais. Pode crer. A maior prova disso? Veja:

O governo interino foi empossado há pouco mais de três meses, o suficiente para mostrar que se não é o ideal, ele é muito melhor que o anterior. A composição da equipe econômica é absurdamente melhor: Meirelles, Goldfajn e Mansueto, dentre outros. Apenas com a perspectiva de mudança na condução da área econômica, tivemos a importante queda na cotação do dólar e dos juros futuros; houve também acentuada redução no chamado “seguro Brasil”, o CDS. Isto tudo significa um custo menor para as empresas na captação de recursos, e para o próprio governo federal reduzindo a dívida pública, o que gera a oportunidade de criar mais empregos e maior renda para a população no futuro. 

Contudo, após efetivação do impeachment, o governo Temer precisará fazer muito mais. A lua de mel do mercado com o governo acabará em breve. Chega de falácias e boas intenções. Os investidores, os empresários e a população querem propostas efetivas. Se as reformas não saírem do papel, o Brasil não sai da crise. Mas o ajuste fiscal virá, tenho muita convicção. Não será fácil, mas ele virá! O Brasil é inviável no longo prazo sem o ajuste fiscal.

O nosso papel é participar ativamente da discussão das reformas, cobrando do governo Temer e dos parlamentares, e entendendo a participação de cada um. Todos precisam colaborar e ceder. A bagunça administrativa dos últimos anos é muito complicada de ser revertida. O desajuste nas contas públicas foi gigantesco.

Mas se você é contra o processo de impeachment e as reformas vindouras, e continua a favor da mesmice e do inepto governo do PT, junte-se aos vermelhos e aguarde a crise bater na sua porta.

Por tudo isso, não vejo a hora da chegada do dia 31 de agosto. Será um alívio e uma grande vitória. A nossa medalha de ouro. Vamos virar a página. Vamos tirar o “bode da sala”.

MJR 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dólar em queda



A desvalorização da moeda americana em 2016 atingiu mais de 20%: de 4,0 reais para 3,18. E pelo cenário atual, a previsão é de mais queda. Veja:

1 – A postergação do aumento de juros nos Estados Unidos em 2016 derrubou o dólar frente a outras divisas mundo afora. A possibilidade de aumento de juros em setembro foi praticamente descartada. Dezembro, quem sabe. Mas ao que tudo indica, parece que ficou para 2017.

2 – A provável efetivação do impeachment da presidente afastada neste mês de agosto aumentará o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, pressionando ainda mais a cotação do dólar para baixo.

3 – Após a nomeação do novo presidente, o Banco Central do Brasil reduziu a interferência no câmbio, o que deixa a flutuação mais limpa. Se por um lado a queda do dólar é ruim para as exportações brasileiras, ela é muito boa para frear a inflação.

4 – Os Fundos de investimentos “Macros”, em geral, estão apostando na queda ou na estabilidade do dólar para o segundo semestre de 2016.

Assim, a tendência natural é a continuidade da valorização do real frente ao dólar, ao menos no curto prazo. Depois de perder a faixa dos 3,20, o próximo objetivo é a cotação de 3,0 reais. Acho improvável perdê-la em 2016, mas se ocorrer, poderemos buscar os níveis de 2,90 e 2,77.

Sempre é bom lembrar que momentos de repique nos preços ocorrem, mas que usualmente não mudam a tendência principal que é de baixa.

Posto isto, fica claro que não é hora de investir no dólar. Fique comprado apenas numa pequena parte do seu capital com o intuito de proteção de carteira (hedge), talvez 10%. Viagem marcada? Compre dólares aos poucos fazendo um preço médio. Não arrisque. Apesar das expectativas, nenhuma previsão é 100% certa. Muito pelo contrário, a cotação futura do dólar quase sempre é uma incógnita!

MJR

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Ata do COPOM – Julho 2016



Ontem foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco do Central do Brasil (BACEN). Se você tiver interesse sobre o assunto, vale a pena lê-la por inteiro, caso contrário, veja aqui os principais destaques da primeira reunião do novo presidente:

1 – Eficiência. A comunicação pública ao mercado da manutenção da Taxa Selic em 14,25% no dia 20/07 foi feita antes do horário habitual, pouco depois das seis da tarde. A ata que sempre era publicada na quinta-feira subsequente foi antecipada para a terça. Isto por si só mostra firmeza e transparência. Um banco central precisa transmitir confiança ao mercado, haja vista que um simples comunicado equivocado pode afetar drasticamente os ativos no curto prazo.

2 – Rigor. A nova gestão comandada por Ilan Goldfajn mostrou que não está pra brincadeiras. Discurso duro em relação ao processo inflacionário. O objetivo principal da equipe é trazer a inflação de volta para o centro da meta (4,5%), já em 2017. Atitude muito destoante em relação ao comando anterior do BACEN que “permitia” o avanço da inflação em detrimento de interesses políticos. Sempre é bom lembrar que a inflação é considerada por muitos, o “pior tributo” de todos, pois atinge a população de maneira sorrateira e mascarada, afetando diretamente o poder de compra, especialmente dos mais pobres.

3 – Política fiscal. Após a leitura da ata fica muito claro que para os membros do COPOM, a implantação e a eficiência do ajuste fiscal proposto pela nova equipe econômica será peça fundamental para que no futuro o BACEN possa baixar os juros básicos de maneira consistente e não errática. A aprovação no Congresso da PEC do teto dos gastos públicos é o primeiro passo. Assim, no futuro, com a inflação controlada e os gastos públicos também, a queda dos juros básicos será natural, o que sempre é muito bom para o país (reduz o custo da dívida pública) e para o crescimento econômico, o que gera mais empregos, maior renda e bem-estar da população.

4 – Taxa Selic. Posto isto, ficou óbvio que a queda de juros será postergada momentaneamente. O cenário atual não permite a redução imediata da taxa básica de juros. Talvez aconteça no último trimestre deste ano. Talvez!

5 – Juros Futuros. Desta forma, no dia hoje e ontem, observamos uma pequena elevação dos juros futuros de curto prazo (especialmente no dia de ontem) e uma queda dos juros nos títulos de longo prazo.

O impacto sobre os títulos do Tesouro Direto comento no próximo post. Até lá!

MJR